IT'S YOUR PROBLEM, NOT MINE

Meu querido diário

A razão pela qual eu endereço-te estas linhas tem a ver com a maneira como, mais uma vez, a nossa classe foi tratada pelos que organizam eventos como este onde estamos inseridos: o Festival de Jazz promovido pelo Meridien Hotel.

Encontro-me em terras francesas numa digressão da cantora Gabriela Mendes.

Logo à chegada começamos com problemas relacionados com os quartos do hotel, pois o que tinha sido previamente acertado não foi cumprido.

Uma das condições inicialmente pedidas passava por quartos individuais para cada um dos cinco músicos que acompanharam a Gabriela. Chegados ao Hotel Meridien deparámo-nos com o facto de não ter sido cumprida essa formalidade.

Apesar dos inúmeros protestos a situação não sofreu alteração, até porque o hotel, segundo a recepção, encontrava-se cheio.

Engolido que foi esse sapo, fomos então comer qualquer coisa para depois fazermos o check-in.

Nesse meio tempo, descobrimos outra surpresa: do programa constava que os nossos concertos, inicialmente previstos para serem um por dia com a duração de 90 minutos, seriam de 2 x 90 minutos nos dois dias previstos para a nossa estadia.

Deixámos esse assunto para ser discutido no dia seguinte à hora do almoço, na altura em que estaria presente o manager da Gabriela.

Se assim o pensámos, melhor o fizemos. No dia seguinte, depois do almoço, ainda sentados à mesa, o manager da Gabriela tomou a palavra com aquele discurso já batido, que a Gabriela está no início de carreira, que existem boas perspectivas para o futuro, blá blá blá (onde é que eu já ouvi isso?)…

Findo o discurso, pedi a palavra e expliquei ao senhor que, antes de mais, éramos profissionais e se a Gabriela precisasse de nós no futuro e se estivéssemos disponíveis, com toda a certeza e gosto a acompanharíamos.

O importante naquele momento seria fazer com que pequenas surpresas se evitassem, como por exemplo a questão dos quartos e, principalmente, havia uma questão que era assaz urgente resolver, que se prendia com o binómio cachet/número de actuações, uma vez que os valores combinados não eram, nem de perto, os que teríamos exigido se do início soubéssemos que as apresentações eram a dobrar.

Inacreditavelmente recebi como resposta a seguinte frase: “o problema é teu, não é meu, não há nada que possa fazer neste momento”.

Ao ponto a que chegámos, meu querido diário.

GIRASSOL SOLIDÁRIO

MEU QUERIDO DIÁRIO:

Venho aqui expor-te o meu espanto pela forma como o pessoal correspondeu ao apelo feito pela Associação Girassol Solidário ontem, dia 10 de Novembro, no jantar de solidariedade que aconteceu na Associação Cabo-verdiana de Lisboa, na Duque de Palmela ao pé do Marquês de Pombal.

A casa estava, não cheia, mas a abarrotar, com gentes de todas as idades, raças e credos, num gesto de união por uma causa que, só pela sua natureza, juntou tudo e todos.

Foi maravilhoso ver aquela massa humana sentada a saborear a cachupa, o doce de coco, a salada de frutas.

Foi tocante a explicação dada pela Teresa Noronha dos propósitos e intenções da Girassol, foi emocionante ver a forma como as pessoas reagiam às diversas situações que se iam apresentando ao longo da noite, o leilão do quadro lindíssimo do Djô, as ofertas em dinheiro e, claro está, a apresentação dos artistas e músicos que graciosamente se ofereceram para contribuir para o sucesso que foi esta noite.

O Calú Moreira, mesmo tendo compromissos assumidos com outra casa nocturna, não deixou de comparecer e "dar um tostãozinho da sua (bela) voz".

A Carla Correia, linda, leve e sublime, também contribuiu para que a noite se tornasse num jantar-dançante (claro está!, onde há crioulo coque, bafa e violão, também há um pezinho de dança, ou não fossemos crioulos...).

O Joaquim Arena também quis juntar-se a esta festa pelo que, quando a música começou, sacou do seu violão, subiu ao palco e participou cheio de vida nesta tocatina quase que improvisada, sem ensaios e preparações de maior.

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Da minha parte contribui também para "pê d'bodje", cantando e tocando temas conhecidos da nossa terra, divertindo-me e fazendo-os divertirem-se numa noite que acabou pura e simplesmente ma-ra-vi-lho-sa!!!

À Associação Girassol Solidário desejo os maiores sucessos no futuro. Aos doentes, claro está, rápida melhoras.

PALÓ EM CONCERTO

Meu querido Diário:

Hoje venho mesmo numa de desabafar. Estou chateado.

Imagina tu que surgiu uma oportunidade para eu fazer um concerto num Festival que já se realiza há oito anos na Quarteira, Algarve, representando Cabo Verde e infelismente não vou poder realizá-lo...

E isto porque, primeiro, fui contactado muito em cima da hora e com um prazo bem curto para responder; depois, não consegui reunir músicos suficientes para formar um quinteto, devido ao factor explicado anteriormente e devido também à falta de disponibilidade de músicos.

Conciliar as disponibilidades com a necessidade de ensaios (sim, porque, para além de querer fazer as coisas como deve ser, não tenho o hábito de fazer grandes concertos como figura central e, consequentemente, os músicos de qualidade disponíveis na nossa praça não conhecem a minha música de cor e salteado, como acontece com outros colegas), conciliar, dizia, datas, disponibilidades, a necessidade de ter colegas de confiança ao meu lado, isto tudo para ter uma resposta pronta num prazo de 48 horas, era realmente difícil e, se tivesse conseguido, teria sido algo de fora do comum.

Mas paciência. Outras oportunidades virão. É pena. Agora que já me imaginava num palco grande, cheio de luz, cores, som, fumo, adrenalina...


VIAGEM À GRÉCIA - 15 a 23 Março 2007

Querido Diário:
Trago-te aqui umas fotos tiradas aquando da minha ida a Atenas, a convite da Nancy Vieira.

A equipa no Aeroporto da Portela: Moisés Ramos (Piano), Abel Batista (Percurssão), Nancy Vieira (voz) e eu (Guitarra).



<------ O Abel e o Moisés no Aeroporto de Zurique, onde fizémos escala
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Já em Atenas, por volta da 1 da manhã


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O Hotel Poseidon onde
ficámos nas 3 primeiras noites











No dia seguinte o pessoal partiu em missão de descobrimento de um local onde pudéssemos almoçar.
O instinto levou-nos a um restaurante Grego onde matámos a nossa fome.

















Todos a procurar perceber que pratos eram os que estavam no menú


























Nesse dia à noite tivémos o primeiro contacto com o club onde iríamos estar as noites seguintes

























Perguntámos o porquê do gato ter uma cadeira só para ele, responderam-nos que era "the club's owner"...











O jantar que antecipou o primeiro concerto foi naturalmente descontraído











Assim como os minutos que antecederam o mesmo
















A primeira de sete noites no Half Note







Na manhã seguinte o "turista" observava a praia em frente ao hotel e matutava se havia de lá ir molhar os pés nas águas do Mediterrâneo






















Quando o "turista" se decidiu, foi até à praia e no regresso fotografou este pormenor: um cinzeiro a céu aberto numa paragem de eléctricos. A idéia é bonita. Mas quando fizer um pezinho de vento...











Pormenor de um dos concertos














O Hotel Herodion acolheu-nos nas noites seguintes.










Ir à Grécia e não visitar os monumentos é o mesmo que ir a Cabo Verde e não provar o "arroz c'atum"








































Não via Trolley Cars desde 1974 na Cidade do
Porto





















MYTHOS, cerveja grega pela qual me apaixonei












€0.979... Menos de um Euro, um litro de gasolina sem chumbo...












Chrystos, o responsável pela nossa ida à Grécia. Um homem enigmático, profundo conhecedor de Atenas by night, a quem eu pus a alcunha de Nhór Deus












A nossa última noite no Half Note. As amizades já estavam feitas







O relax após o serviço do staff do club. Foi nesta altura que dissemos "adeus até à próxima"








O voo de regresso, de novo via Suíça, levou-nos desta feita ao aeroporto de Genéve.



Fotógrafos de serviço: Moisés e Paló

PARA MIM, O MESTIÇO É QUE FOI O CRIADOR DA SOCIEDADE E DA CULTURA CABOVERDIANAS

Meu querido diário:

Há dias, já não me lembro quando, mas a cuscar por esta imensa blogesfera, fui dar de caras com um blog de um senhor chamado Jõao Mariano.
Cusca daqui, cusca dali, facilmente reconheci que este Mariano é familiar meu, mais exactamente, primeiros primos, como se diz lá na Santa Terrinha.
Inclusivamente transcrevi para este blog um poema deste Mariano, alusivo uma frase de seu Pai, meu Tio, Gabriel Mariano, que diz "Não perco noites, ganho madrugadas". Se quiseres podes ver na página das Divagações.
Hoje voltei a esse blog, para cuscar mais um bocadinho e encontrei uma entrevista feita pela Dra Cátia Costa a Gabriel Mariano. Achei interessante e por isso mesmo vim cá dizer-te isto e convidar-te para lá ires ler. Se quizeres, podes ir por aqui.

Fica bem.

O LADO DE CÁ

Lisboa, 4 de Outubro de 2006

Meu querido diário:

Estas coisas de ser músico profissional e ter que levar a vida a correr de um lado para outro à procura do sustento (quem corre por gosto não cansa e eu gosto do que faço) às vezes não nos deixa apreciar algumas das coisas boas da vida.

Mas ontem resolvi oferecer ao Paló uns momentos de lazer e paguei-lhe a entrada para um concerto do Boy Gé Mendes no Onda Jazz (isto após mais um convite do meu mano de sangue Mário Rocha).

Adorei o espaço. Aconchegante, boa acústica.
Após uns momentos de poesia numa rubrica chamada "Espaço Rui de Noronha", deu-se início ao concerto do meu amigo Ge.

Os temas apresentados, a grande maioria deles conhecidos, fizeram-me viajar no tempo, fazendo-me lembrar as matinés na discoteca Kocknot do Alhinho ali na Rua de S. Bento (1982/3).
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Grandes paródias fizémos nós dentro da Lei, num espaço e horário a pensar nos jovens daquela época.
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Outros temas fizeram-me lembrar um fim-de-semana na Ilha do Sal, desta vez como músico participante da Banda do Boy Ge, banda essa na qual o Biús também participava, juntamente com o Moisés das Teclas (que ontem actuou) e o baterista Jorge Canhoto.

Foi um fim-de-semana cheio de felicidade, pois estava eu ao lado do Gerard Mendes, a tocar temas que me fizeram vibrar nos meus 16/18 anos: Grito di Bô Fidje, Nos Riqueza e Valor, etc., etc., etc..

O concerto de ontem só pecou por uma coisa: muuuiiiito comprido. Cerca de duas horas. Às tantas a minha almofada traseira já não aguentava estes cento e tal quilinhos fofos.

Mas valeu!

O meu inseparável amigo Mário dizia-me a páginas tantas: "Sabe bem ouvir música..."

Pois sabe. E principalmente quando ela é bem feita.

Pudera! A equipe de ontem era composta pelo Moisés ao Piano e Sintetizador, Vaiss à Guitarra, Rolando Semedo no Baixo e um baterista angolano muito certinho que infelismente não consegui perceber o nome dele quando foi apresentado, isto porque o Ge canta à vontade, mas quando se trata de falar ao microfone, não se percebe... :-(

Pois é, ontem curti estar do lado de cá.

Lembro-me poucas vezes de ter tido esta sensação.
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Mas é muito boa...

ANGOLA ANGOLA Ô K'POVE SABE


Meu querido diário:

Fui a Angola pela segunda vez!!! E pela segunda vez com o nosso BANA. Desta vez para participarmos numa Gala por ocasião do Dia de África, que se comemora a 25 de Maio. Vou-te contar.

Arrancámos no dia 21 de Maio p.p., às 22:40h, apenas com 40 minutos de atraso. Vá lá…

O avião que nos transportou, um Lockhead TriStar L1011 da Euro Atlantic Airways alugado pela TAAG, estava velho até dizer chega. Das casas de banho, só uma funcionava em pleno, estando as outras sem água e a cheirar mal. As luzes do interior da cabine pareciam as de uma árvore de natal, acendiam e apagavam sem ninguém ter controle sobre elas. Mas prontos pá, lá fomos p’Angola, meu.

Uma vez chegados a Luanda, saímos do avião para o autocarro que transporta os passageiros para o terminal. Já eu estava sentado à espera que o machimbombo arrancasse, quando fui chamado para passar para um mini-bus que entretanto estacionara ao lado. Eh pá!!!, pensei eu. Tratamento V.I.P.. Quando me mudei para o pequeno autocarro, reparei que, para além de nós, eu, o Humberto Ramos, o Nanuto, o Manecas Costa e mais dois ou três passageiros, estava uma senhora que, facilmente percebi, era do protocolo, pois assim que a comitiva se reuniu, ela deu ordens ao condutor para que nos levasse ao terminal V.I.P..

Quando lá chegámos e descemos do autocarro, deparámos com uma situação ridícula: À porta do edifício encontrava-se um senhor de gravata e divisas nos ombros que, após breve troca de palavras com a senhora, mandou-nos entrar de novo no mini-bus, dizendo que devíamos voltar para trás entrar no terminal onde os outros passageiros se encontravam.


Atónitos e sem perceber nada, voltámos a entrar no carro e fomos carimbar os nossos passaportes onde, afinal, os comuns mortais passageiros faziam filas para passar a fronteira. A senhora do “potrocolo”, como lhe chamei, conseguiu entretanto que fossemos rapidamente atendidos o que fez com que em pouco tempo estivéssemos a caminho do Hotel Trópico (****), por volta das 6:30h da manhã.


Chegámos ao Hotel cerca de meia hora mais tarde. Como podes imaginar, meu querido diário, estávamos cansados, com fome e cheios de sono, pois não foi possível apanhar uma “djonga” durante as sete horas de viagem nocturna e a comida servida tinha um gostinho lá no fundo, um gostinho a pouco… A senhora do “potrocolo”, que entretanto se juntara a uma segunda senhora também pertencente à comissão organizadora da Gala, estava às voltas com o nosso check-in.

Nisto, oiço dizer que só havia quartos disponíveis a partir das 13h. Ai minha Mãe!!! Lá juntei as forças suficientes para passar as seis horas seguintes acordado, cansado, com sono e com o corpo a pedir um banho, pois já começava a cheirar a Paló… Fomos para o bar do hotel, comer qualquer coisa para enganar o estômago e falar “na vida d’gente”. A conversa até que foi boa, muita divagação (a divagar se vai ao longe).


Recebemos às tantas a visita do Hélder Rei do Cuduro, hoje em dia auto-baptizado de Rei Hélder e com isto tudo, chegaram as 13h. Entregaram-nos as chaves dos quartos e decidimos ir almoçar primeiro antes de atacar as camas.

Por volta das 15h, de barriga cheia, fomos então finalmente descansar, dormir, dormir, dormir, até não poder mais.

Às 16:30h, estava eu ferrado num sono sem direito a sonho, quando toca o meu telefone. “Fusco” de sono atendi e largaram-me outra bomba: “Daqui fala da Recepção. Houve um engano, o seu quarto estava destinado a outro cliente de modo que você tem que se mudar para o quarto do Sr. Humberto Ramos”.

AI MINHA MÃE!!! MULHER DO MEU PAI!!!

O problema é que ninguém conseguia contactar o Sr. Ramos, pois de forma alguma ele atendia às chamadas que lhe eram feitas da recepção. Mais tarde fiquei a saber o porquê: logo a seguir ao almoço, quando o Humberto foi para o quarto, ligaram-lhe por engano da recepção. Para evitar outros enganos, ele não esteve com meias medidas: desligou o fio do telefone… Bem pensado. Pena que eu não pensei assim também…

Bem…

De problema em problema, a solução acabou por ser outra chave do #207. Imagino o que deve ter pensado o Humberto quando, no meio do seu sono ferrado, ele sente a porta do quarto a abrir e quando abre os olhos, dá comigo a entrar de armas e bagagens….

Moral da história: Não se conseguiu dormir mais, de modo que ficámos a fazer tempo para o nosso ensaio com a Banda Maravilha previsto para essa noite.

Findo o ensaio, fomos visitar uns amigos de outras viagens e por fim, o merecido descanso.

No dia seguinte, fizemos o segundo ensaio previsto e combinámos as horas para o sound-check do dia da Gala.

Nessa noite o Nanuto, filho de Luanda, levou-me a conhecer o Xavarotti (Pub e Discoteca). Diga-se de passagem que gostei mais do Pub. Pequeno, acolhedor e nessa noite com uma performance de um quarteto originário de um país nórdico constituído por um trompetista, um saxofonista, um baterista e um tocador de tuba (como se diz? Tubista? Num sei…) que nos presentearam com um verdadeiro show de World Music.






Às 4 da matina fomos comer um muzongué (caldo de peixe com farofa, uma farinha que pode ser de mandioca ou de musseke) à ponta da Ilha e acabámos a noite no barzinho onde costuma estar o Pedro Rodrigues, compositor que eu conheci na viagem anterior que fizera a Luanda, em princípios de Dezembro de 2005.

Nessa madrugada, àquela hora, infelizmente o Pedro já não se encontrava lá, mas estavam os outros amigos rodeados de muita cerveja e de violões, cavaquinhos, enfim, todos os ingredientes para uma boa (fim de) noite cabo-verdiana.

No dia 24, dia da Gala, passámos o som por volta das 14h e saímos do Cine Teatro Tropical a perguntar a que horas deveríamos estar presentes à noite. Ninguém sabia. Pudera, ninguém da Organização tinha fornecido essa informação.

Eu, pessoalmente, meti-me na cama e ferrei num sono que deu direito a sonho… com o Bana e com a Ritinha Lobo. Vai-se lá saber porquê…

Às 20:20h sou acordado pelo Humberto que me anuncia que tínhamos que estar às 20:30 no Tropical… Isso é que era bom!

Levantei-me, tomei um banho, jantei e só depois desci para a recepção. E mesmo assim não fui o último a chegar…

Uma vez no Cine Teatro Tropical, pude verificar que os nossos camarins eram na parte traseira do edifício, a céu aberto, ou seja, nas traseiras do palco, onde havia uma porta que comunicava com o mesmo.

O Humberto resmungava: “Falha grande… falha grande…”

Não sei se já reparaste, meu querido diário, que até agora não te contei nenhuma reacção da minha parte às adversidades que entretanto foram acontecendo ao longo desta viagem, E sabes porquê? Porque resolvi adoptar a postura de “tá-se bem”, “no stress”, estava lá porque quis ir a Luanda e resolvi encarar a coisa como uma semaninha de férias…

Estivemos quase 3 horas nessas condições à espera da nossa vez para tocar.

A parte boa disto tudo: estavam também presentes modelos com roupas tradicionais representativas das diversas províncias e tribos angolanas, que também não tinham camarins, de modo que tudo se passava nas traseiras do Cine Teatro: os ensaios das passagens de modelos, as trocas de roupa, mamas e cuequinhas na rua, fotografias, entra no palco, sai do palco, tudo na maior descontracção.




Tive a oportunidade de acompanhar (e pela primeira vez) a performance do Manecas Costa, o que me deixou agradavelmente surpreendido. Muita vida tem este guineense no palco. Parabéns, mano Manecas. A dupla com o Paulo Flores foi muito boa. Sucessos aos dois.

Quando chegou a nossa vez, fomos acompanhar o Sr. Adriano Gonçalves, Bana, que fez as delícias de quem foi lá para vê-lo. Já o disse e repito, o Bana é muito querido pelas bandas de Angola. Quatro músicas mais tarde, acabava o nosso mini-concerto e com isso o compromisso que nos levou a Angola.

Na Quinta seguinte, feriado em Angola, não fizemos rigorosamente nada.

Apareceu entretanto uma hipótese de um concerto no Domingo, que eu, infelizmente, não podia participar por ter que estar em Lisboa na Segunda devido a compromissos relacionados com sessões de estúdio.

Combinou-se então que eu havia de regressar a Lisboa no voo de Sexta à noite e o Bana, mais o Humberto e o Nanuto, assumiam o concerto de Domingo, regressando na Segunda.
Na sexta de manhã, as senhoras da Organização foram avisadas que era necessário tratar do OK da minha passagem.

Em jeito de despedida, estava eu na sala da Internet do hotel a tentar navegar um bocado num PC que, para além de ter o Windows 98, funcionava a carvão, quando entra o Humberto de rompante a dizer que tínhamos que ir à agencia da TAAG, pois em vez de porem OK no meu bilhete para esse dia, tinham posto no dele, tendo o meu ficado com OK para Segunda-Feira.

Ir à agência da TAAG de nada serviu, pois os funcionários da agência da TAAG relegaram para os do Aeroporto a solução deste problema.

E por isso o Humberto teve que ir ao Aeroporto, ao fim e ao cabo, para se despedir de mim, pois o problema acabou por não ser resolvido.

Ou seja: em vez de trocarem os OK’s pusera-me à espera que o check-in fechasse e atenderam-me como se fosse passageiro em lista de espera. Tudo bem. Até que havia lugares disponíveis. Só que o Humberto, por arrasto, também ficou em lista de espera para Segunda-Feira.

No momento em que te escrevo estas linhas, meu querido diário, faço também “figas canhota” para que o Beto não tenha problemas na viagem. Até porque logo à noite vamos acompanhar a Titina Rodrigues num Jantar-Concerto na Casa da Morna e é preciso que ele esteja presente.

Vai-lá. Fica bem. Vou descansar um bocadinho.

Xau.