KASSAV EM LISBOA

Lisboa, 16 de Fevereiro de 2006

Ontem, dia 15 de Fevereiro, com a proximidade da data do meu aniversário, resolvi pagar-me um bilhete para o concerto dos Kassav no Pavilhão do Belenenses, como prenda antecipada de anos.

A expectativa era grande, pois sendo eu um fã, tendo sido apresentado ao Jacob Desvarieux em Paris aquando da gravação do CD dos Finaçon "Farol", tendo tido o privilégio de ter os 6 maravilhosos artistas principais deste grupo sentados em primeira fila durante um concerto que fiz com os Finaçon no Zénith (grande sala de espectáculos parisiense) e principalmente por ter consumido até à exaustão (em 1986) duas cassetes de vídeo com o concerto memorável deste grupo nessa mesma sala no dia 22 de Junho de 85, podes imaginar, meu querido diário, como é que eu estava...

O concerto começou atrasado cerca de meia hora (fazendo-me lembrar coisas da minha terra, formas que se foram arranjando para justificar o visceral atraso dos eventos cabo-verdianos do tipo "o concerto é 'pelas' 22h ou 'a partir' das 22h") e logo à partida uma desilusão: o som.

Muito mau. Coisas que a gente não entende. Em 1990, com os Finaçon, naquele mesmo pavilhão, tive a experiência física que espaços deste tipo não são nada bons para concertos musicais. Só não percebo porquê continuam a insistir em fazer eventos nesse tipo de salas sem tratar previamente a acústica.

Bom, adiante.
A satisfação de ver os Kassav em plena actuação 20 anos depois de ter estragado duas cassetes de vídeo de tanto ver outro concerto semelhante, mas num palco bem maior, e com muito mais público e o reportório apresentado ontem (que me fez reparar que as músicas dos discos recentes deste grupo não tiveram tanto impacto, pois ontem 90% do reportório foi feito com músicas dos discos dos anos 90) acabaram por mexer comigo, pois às tantas já mexia o pezinho e pouco tempo passado dançava vigorosamente.

Só não gostei de uma coisa, meu querido diário: o Patrick Saint-Eloi pareceu-me completamente desinteressado, esteve muito tempo escondido atrás do Jean Claude Naimro, poucas vezes fez os coros quando os colegas cantavam, enfim cumpriu o papel dele e nada mais. Fiquei triste.

Em contrapartida, fiquei felicíssimo por saber que o meu ídolo baixista Georges Decimus tinha voltado ao activo, pois, quando estávamos com papeis invertidos, eu a tocar e eles a ouvirem, ele estava em muito mau estado devido ao uso de drogas fortes. Soube que ele acabou por se afastar do grupo, mas pelos vistos, recuperou e regressou à banda, para aplicar aquelas linhas de baixo que só ele sabe fazer. Só é pena que durante todo o concerto, mal se ouviu o instrumento dele...

O Jean Claude Naimro, rastamen, continua com o mesmo sabor musical, com solos de melodias simples mas saborosas e sonoridades típicas dele. Adorei.

A Jocelyne Beroard, ai minha mãe... Morena de voz forte... só não percebi uma coisa: Quer ela quer o Patrick nas notas altas, de maior esforço, desafinavam, não chegavam lá… Seria do cansaço? Seria da monitorização? Seria preguiça?... Não! Não quero nem pensar nisso…

Senti muitas saudades do Jean-Philippe Marthely. Grande voz, grande figura em palco. Grandes duetos com o Patrick. Até hoje fiquei sem saber porque ele abandonou os Kassav.

Enfim, lá passei umas horinhas divertidas, com o meu amigo Mário (ganda homem).

Bem, meu querido diário, vou te abandonar, pois tenho que fazer com a minha vida. Fica bem.

Paló

Nenhum comentário: